Camisa, rodada, figurinha e bet: os gastos na Copa do Mundo que viram dívida em agosto

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Talvez você não tenha comprado passagem. Não pediu visto. Nem cogitou ir aos Estados Unidos ver o Brasil jogar. Mas os gastos na Copa do Mundo já estão acontecendo — e talvez você nem tenha percebido ainda.

Camisa oficial. Pacotinhos de figurinha. Uma rodada entre amigos. A betinha no jogo do Brasil. Some tudo isso ao longo de 40 dias de Copa e você vai entender por que agosto costuma chegar pesado no cartão.

Parece pouco? Uma pesquisa da Creditas mostrou que 80% dos brasileiros podem gastar durante a Copa sem nenhum planejamento. Torcer também tem o seu preço.

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O Brasil já estava endividado — e os gastos na Copa do Mundo chegaram na hora errada 

Antes de falar sobre os gastos na Copa do Mundo, é importante entender o ponto de partida. O Brasil chegou ao Mundial de 2026 em situação financeira delicada.

Segundo o Serasa, 82,8 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em março de 2026 — o maior número da história, após mais de um ano de recordes consecutivos. Para ter uma ideia do tamanho disso: é quase 40% da população adulta do país com alguma conta em atraso.

E não para por aí. Uma pesquisa da Creditas com a Opinion Box revelou que 39% dos brasileiros acham mais provável o Brasil ser hexacampeão do que eles conseguirem fechar 2026 sem dívidas. É irônico, é real — e diz muito sobre o momento em que chegamos à Copa.

A renda não cresceu na mesma proporção do consumo. Segundo o Serasa, o brasileiro tem, em média, 70,5% da sua renda comprometida com contas básicas e dívidas antes mesmo de comprar qualquer coisa relacionada ao futebol.

Os quatro gastos na Copa do Mundo que ninguém planeja

Todo mundo fala dos gastos de quem viajou. Mas quem ficou em casa também tem a sua lista. 

A camisa da seleção

A camisa oficial da seleção brasileira para a Copa de 2026 custa entre R$ 299 e R$ 399 nas versões torcedor. A versão jogador ultrapassa R$ 600. E tem a do filho. E a do marido. E a do amigo que pediu pra comprar junto porque “fica mais barato no cartão”.

Sozinha, a camisa não quebra ninguém. O problema é que ela costuma ser o primeiro gasto numa lista que vai crescendo ao longo do torneio.

O álbum de figurinhas

Esse é o vilão silencioso dos gastos na Copa do Mundo. O álbum de 2026 é o maior da história: 980 figurinhas, com pacotes a R$ 7 cada (7 figurinhas por pacote).

Um cálculo do professor Osvaldo Assunção, da FGV-EESP, estimou que completar o álbum custa, na mediana, R$ 7.098. Isso porque quanto mais você avança, mais difícil é achar figurinha nova — e mais pacote você compra. O custo máximo projetado passa de R$ 18 mil.

O perigo está exatamente na percepção de que “é só R$ 7”. São R$ 7 hoje, R$ 14 amanhã, R$ 21 depois. E aí vira hábito. E o hábito vira fatura.

A rodada do bar

A rodada é o gasto mais imprevisível dos 40 dias de Copa. Pode ser num bar, pode ser em casa com amigos, pode ser um delivery que virou tradição a cada jogo. O que muda é o cenário. O que não muda é que ninguém para pra calcular. 

Os jogos do Brasil na fase de grupos são em 13, 19 e 24 de junho. Se o Brasil avançar — e a torcida espera que sim — tem oitavas, quartas, semifinal e final. São potencialmente 7 jogos até a decisão. Sete rodadas. Sete faturas parciais que, provavelmente, ninguém anotou. 

A bet (aposta esportiva)

A bet entrou de vez no vocabulário popular — e na rotina financeira dos brasileiros. Uma pesquisa da Creditas mostrou que 56% dos brasileiros pretendem fazer apostas ou participar de bolões durante a Copa de 2026. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse número sobe para 70%.

O dado mais preocupante: entre quem já tem dívidas, 79% pretendem apostar. Ou seja, quem menos pode arriscar é quem mais aposta.

O problema da bet não é moral — é matemático. A casa sempre tem vantagem. E quando você aposta R$ 20 e perde, a tendência é apostar R$ 40 na próxima para “recuperar”. Esse ciclo tem nome: é chamado de falácia do jogador.

Quanto gastar na Copa sem sair de casa: com honestidade

Não existe número certo para todo mundo. Mas existe uma forma inteligente de chegar nesse número. Antes dos jogos começarem, tente responder:

  • Quanto posso gastar por semana com lazer e Copa sem comprometer o essencial?
  • O álbum é prioridade real ou impulso? Se for, defina um teto de gasto e pare quando chegar nele.
  • Apostas e bolões fazem parte do clima, mas merecem atenção redobrada: são gastos invisíveis, feitos por Pix, que não aparecem no cartão e por isso são fáceis de ignorar no balanço final. 

Uma estratégia simples: crie uma conta digital separada — ou uma chave Pix exclusiva para a Copa — com o valor total que você topa gastar. Quando o saldo zerar, zerou. Sem cartão, sem “só mais um pacotinho”.

A fatura do cartão de crédito na Copa do Mundo: o inimigo invisível

Aqui mora o maior risco dos gastos na Copa do Mundo para quem não presta atenção.

O cartão de crédito tem uma característica traiçoeira: o prazo entre a compra e a cobrança. Você compra a camisa em junho, a fatura chega em julho. Você paga o mínimo — e aí cai no crédito rotativo.

E o crédito rotativo não perdoa. Segundo o Banco Central, a taxa de juros do rotativo chegou a 428,3% ao ano em março de 2026. Isso significa que uma dívida de R$ 1.000 não paga integralmente pode se transformar em muito mais em poucos meses.

Não é exagero dizer que uma Copa bem vivida no crédito pode criar uma dívida que você vai carregar até o carnaval de 2027.

Dica prática: se for parcelar algum gasto relacionado à Copa, calcule o valor total das parcelas antes de bater o cartão. E nunca deixe a fatura acumular no rotativo.

Como não se endividar na Copa: 5 regras simples

Curtir a Copa sem culpa financeira é possível. Vale lembrar que a Copa dura 40 dias. A fatura dura muito mais. Aqui vão cinco regras simples para não trocar uma pela outra: 

Defina seu orçamento de Copa antes do primeiro jogo 

Escreva. Coloque no celular. Combine com quem mora com você. O que não tem limite, não tem freio.

Prefira débito ou Pix para os gastos da Copa 

O cartão de crédito dilata a percepção do gasto. Quando sai do saldo na hora, você sente — e pensa duas vezes.

No álbum, priorize as trocas antes de comprar mais pacotes 

Grupos de WhatsApp de troca de figurinhas existem em toda cidade. É gratuito, é divertido e é estratégico.

Fique de olho nos gastos com apostas 

São feitos por Pix, não aparecem no cartão e por isso somam sem que você perceba. Acompanhe de perto.

Confira a fatura do cartão semanalmente durante a Copa 

Não espere o mês fechar. Pequenos gastos acumulados viram surpresa na fatura — e surpresa no cartão raramente é boa.

Conclusão: Copa é festa, não fatura

Os gastos na Copa do Mundo fazem parte da celebração. Ninguém precisa torcer de água e sem camisa para sair financeiramente saudável do Mundial.

A diferença entre quem curte a Copa e sente orgulho em setembro e quem lamenta a fatura em agosto é simples: consciência antes do primeiro jogo.

Você pode comprar a camisa, abrir o pacotinho, pagar a rodada — desde que saiba quanto vai gastar antes de gastar. O Brasil vai em busca do hexa. Seu bolso vai em busca de equilíbrio. Dá pra torcer pelos dois ao mesmo tempo.

No Hello Mundi você pode continuar aprendendo a usar o crédito a seu favor. Porque a Copa do Mundo passa, mas as boas decisões financeiras ficam. 


Fontes: Serasa Mapa da Inadimplência (março/2026) · Creditas + Opinion Box “Placar das Finanças” (maio/2026) · Banco Central do Brasil – Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito (março/2026) · FGV-EESP / CNN Brasil – estimativa de custo do álbum (abril/2026)

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